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A segunda edição do “ECOS entre as Serras - Ciclo de Música da Freita ao Montemuro” chegou ao fim no passado dia 14 de dezembro, com um concerto em Arouca, na Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão, depois de apresentações em Vila Viçosa e Santa Eulália.

Este concerto, de elevada qualidade artística, reuniu o violoncelista francês Christophe Roy a dois intérpretes já conhecidos do público: o pianista Jun Bouterey-Ishido e a violinista Matilde Loureiro, diretora artística do ciclo de música. Os três músicos, formados em instituições de referência e com carreiras internacionais como intérptretes do repertório solo e música de câmara, desenvolvem ainda atividades de ensino e programação, tendo demonstrado grande cumplicidade em palco.

O programa do concerto contemplou duas obras para piano e violoncelo, ambas do início do século XX – a Sonata para violoncelo e piano em ré menor, op. 40, do compositor russo Chostakovitch, e Pohádka (Contos de fadas) do checo Janáček, dois importantes marcos do modernismo europeu – culminando com o Trio n.º 1 em si bemol maior, D. 898, uma das últimas composições de Franz Schubert, obra-prima do início do século XIX.

Ao longo do concerto, Matilde Loureiro fez uma breve introdução a cada obra, convidando o público a uma escuta atenta e à descoberta, em consonância com o objetivo do ECOS, pensado para acolher tanto o público habituado à música clássica como ouvintes curiosos e novos apreciadores.

A interpretação do Trio destacou a emotividade, a riqueza melódica e o equilíbrio entre os três instrumentos, proporcionando um final envolvente e muito apreciado pela assistência, que devolveu aplausos e eloquente apreço - “Bravo!”, exclamou um espectador.

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O ciclo teve início em outubro, no coreto de Vila Viçosa, num ambiente ao ar livre que aproximou a música da paisagem e da população.
ecos2025 vv 01Este primeiro encontro ficou marcado pela partilha musical e pelo convívio comunitário. Matilde Loureiro e Jun Bouterey-Ishido, com ligações familiares e afetivas ao lugar, interpretaram obras de Joseph Haydn e Béla Bartók para duo de violinos, e uma sonata de Eugène Ysaÿe para violino solo, a maioria com influências da música popular. Seguiu-se a apresentação de canções tradicionais por um grupo de habitantes, ensaiadas para a ocasião, bem como a atuação de uma criança da aldeia que interpretou duas peças para guitarra, terminando o encontro com um lanche partilhado.

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O segundo concerto teve lugar na Igreja de Santa Eulália, no dia 8 de dezembro, data de inauguração das Obras Jubilares, a convite do Pároco José Pedro Novais, num momento de especial significado para a paróquia.

Foi uma igreja renovada e resplandecente que recebeu e reuniu a comunidade em torno da música. Também aqui, a solo ou em duo, o violino brilhou. O programa, novamente interpretado por Matilde e Jun, incluiu obras de Bach, Haydn, Bartók, Enescu e Kurtág, de estéticas e épocas diversas, do Barroco ao Contemporâneo, revelando a expressividade e versatilidade do instrumento.

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Promovido pelo Círculo Cultura e Democracia, em parceria com a Câmara Municipal de Arouca, as Paróquias de Espiunca e Santa Eulália, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, o Mosteiro de Arouca, e com o apoio da CCDR-N, este ECOS mostrou ser um projeto cultural de proximidade, criando oportunidades de encontro com a arte e os artistas.


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