Este concerto, de elevada qualidade artística, reuniu o violoncelista francês Christophe Roy a dois intérpretes já conhecidos do público: o pianista Jun Bouterey-Ishido e a violinista Matilde Loureiro, diretora artística do ciclo de música. Os três músicos, formados em instituições de referência e com carreiras internacionais como intérptretes do repertório solo e música de câmara, desenvolvem ainda atividades de ensino e programação, tendo demonstrado grande cumplicidade em palco.
O programa do concerto contemplou duas obras para piano e violoncelo, ambas do início do século XX – a Sonata para violoncelo e piano em ré menor, op. 40, do compositor russo Chostakovitch, e Pohádka (Contos de fadas) do checo Janáček, dois importantes marcos do modernismo europeu – culminando com o Trio n.º 1 em si bemol maior, D. 898, uma das últimas composições de Franz Schubert, obra-prima do início do século XIX.
Ao longo do concerto, Matilde Loureiro fez uma breve introdução a cada obra, convidando o público a uma escuta atenta e à descoberta, em consonância com o objetivo do ECOS, pensado para acolher tanto o público habituado à música clássica como ouvintes curiosos e novos apreciadores.
A interpretação do Trio destacou a emotividade, a riqueza melódica e o equilíbrio entre os três instrumentos, proporcionando um final envolvente e muito apreciado pela assistência, que devolveu aplausos e eloquente apreço - “Bravo!”, exclamou um espectador.
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O ciclo teve início em outubro, no coreto de Vila Viçosa, num ambiente ao ar livre que aproximou a música da paisagem e da população.
Este primeiro encontro ficou marcado pela partilha musical e pelo convívio comunitário. Matilde Loureiro e Jun Bouterey-Ishido, com ligações familiares e afetivas ao lugar, interpretaram obras de Joseph Haydn e Béla Bartók para duo de violinos, e uma sonata de Eugène Ysaÿe para violino solo, a maioria com influências da música popular. Seguiu-se a apresentação de canções tradicionais por um grupo de habitantes, ensaiadas para a ocasião, bem como a atuação de uma criança da aldeia que interpretou duas peças para guitarra, terminando o encontro com um lanche partilhado.----
O segundo concerto teve lugar na Igreja de Santa Eulália, no dia 8 de dezembro, data de inauguração das Obras Jubilares, a convite do Pároco José Pedro Novais, num momento de especial significado para a paróquia.
Foi uma igreja renovada e resplandecente que recebeu e reuniu a comunidade em torno da música. Também aqui, a solo ou em duo, o violino brilhou. O programa, novamente interpretado por Matilde e Jun, incluiu obras de Bach, Haydn, Bartók, Enescu e Kurtág, de estéticas e épocas diversas, do Barroco ao Contemporâneo, revelando a expressividade e versatilidade do instrumento.
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Promovido pelo Círculo Cultura e Democracia, em parceria com a Câmara Municipal de Arouca, as Paróquias de Espiunca e Santa Eulália, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, o Mosteiro de Arouca, e com o apoio da CCDR-N, este ECOS mostrou ser um projeto cultural de proximidade, criando oportunidades de encontro com a arte e os artistas.
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