Memórias

Esta Conversa Digital teve lugar no passado dia 8 de maio. Intervieram a Professora Edna Cabecinha, da UTAD, Rafael Soares, do Clube do Paiva, empresa de animação turística, Sérgio Caetano, da Associação ambiental S.O.S Paiva e António Óscar Brandão, da Associação ambiental Urtiarda. A sessão foi moderada pela Inducar – parceira do Círculo na organização do evento – através de Gustavo Briz e Paulo Costa.

A sessão iniciou com a apresentação do projeto ALICE, pela professora Edna Cabecinha.

Este projeto, financiado pelo Espaço Atlântico, com uma duração de três anos, implicou universidades, centros de investigação, ONGs e pequenas e médias empresas e envolveu as comunidade de regiões de 5 países na abordagem ecossistémica, rumo a paisagens atlânticas sustentáveis. Em Portugal, o projeto incidiu sobre a bacia do Paiva.

Os objetivos foram de diversas ordens: desenvolver novos métodos e ferramentas que pudessem ajudar na gestão da paisagem; investir em soluções baseadas na natureza – (SbN) para potenciar os serviços de ecossistemas e a conservação da biodiversidade; perceber os principais obstáculos económicos e sociais para este tipo de estruturas; fornecer algum apoio científico e socioeconómico para uma implementação mais efetiva das SbN e para uma política mais sustentável.

Este projeto permitiu levantar os principais problemas que afetam as regiões visadas, desde a maior procura de recursos energéticos e produção massiva de resíduos devido ao aumento exponencial da população, até à questão dos fogos e das alterações climáticas.

As soluções propostas baseiam-se na utilização da própria natureza, as SbN, um “conceito emergente que abrange uma gama de abordagens que utilizam processos, funções e serviços dos ecossistemas para enfrentar os desafios da sociedade de forma sustentável e adaptativa, proporcionando simultaneamente benefícios para a saúde e o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade.” (Prof. Edna ).

A partir da comunicação da prof. Edna e da intervenção dos outros três intervenientes, bem como do debate com o público que se seguiu, foram identificados os principais problemas e propostas soluções.

Os problemas que afetam os rios Paiva e Arda estão identificados e ligados à forte pressão populacional em certas zonas, à falta de ordenamento da floresta e de biodiversidade, à poluição devida, sobretudo à falta de tratamento conveniente dos efluentes e às alterações climáticas.

Solucioná-los revela-se difícil. No que diz respeito à floresta, e isto é valido para todo o território nacional, o facto de ela ser privada na sua quase totalidade e dividida em pequenas parcelas dispersas dificulta a intervenção direta do Estado, tanto ao nível central como municipal. Esta questão é agravada pela multiplicidade de entidades públicas implicadas na gestão da floresta, pela falta de articulação entre elas e pelo excesso de burocracia, bem como pela falta de sensibilização do público para este assunto.

Os estudos saídos do Projeto Alice podiam ser aproveitados para criar modelos de articulação que permitissem aplicar o dinheiro vindo dos fundos europeus, incentivar a reflexão e promover exemplos de aplicação de cogestão tal como já acontece em certas áreas protegidas.

Importante ainda é reforçar / restabelecer a ligação Homem-rio, através de ações de sensibilização do público, particularmente dos jovens, através das atividades de lazer / turísticas ligadas ao rio e de ações em parceria com as escolas.

Enfim, na medida em que cada um de nós usufrui dos serviços prestados pela floresta e pelos rios, seria importante considerar de que maneira estes serviços podiam ser pagos a quem tratasse convenientemente deles. A consequência seria uma economia mais sustentável e a possibilidade de fixar a população na região.

A Memória completa, com um resumo da conversa, está disponível nos Documentos do Círculo e pode ser consultada aqui.