Conferências de Arouca

Aristocracia e Mosteiros na Idade Média Aristocracia e Mosteiros na Idade Média. "Arouca", entre os vales do Tâmega e do Douro | José Augusto de SOTTOMAYOR-PIZARRO

O propósito desta conferência é o de apresentar uma síntese que ajude a compreender, por um lado, o processo de articulação entre implantação monástica e aristocratização do "Norte Senhorial" - expressão com que o historiador José Mattoso designou o território situado entre o rio Minho e o rio Vouga -, processo que foi muito dinâmico naquelas duas vertentes desde o século XI até à sua estabilização durante o século XIII e, por outro, avaliar as gradações com que essa articulação se fez em áreas mais delimitadas daquele território, e quais os principais actores, laicos ou eclesiásticos, que a promoveram. Neste caso, o enfoque incidiu sobre um espaço definido em torno de três eixos hidrográficos - Vizel-Ferreira/Sousa-Douro, Sousa/Tâmega-Douro e Douro-Paiva - onde se implantaram alguns dos cenóbios mais emblemáticos, ao amparo da proteção de poderosas famílias da aristocracia.

Assim se pode compreender melhor um fenómeno da maior importância para entender a organização social do espaço nortenho, e no qual o mosteiro de Arouca se assumiu como um expoente verdadeiramente notável.


José Auguto de Sottomayor-Pizarro (Porto, 1958)


Mestre (1987), Doutor (1998) e Agregado (2007) em História Medieval, pela Universidade do Porto, é Professor da Faculdade de Letras desde 1984.

Responsável pelas cadeiras de História Política na Época Medieval, História Medieval Peninsular e Genealogia e Heráldica, no curso de Licenciatura, e de Fontes para o Estudo da Idade Média e o seminário sobre Nobreza Medieval Portuguesa, nos cursos de pós-graduação; foi diretor da «Cátedra Sánchez Albornoz de História Medieval de Espanha» (1999-2003). Diretor do Curso de 1º Ciclo em História da Faculdade de Letras do Porto, desde 2007.

Prémio Instituto Português de Heráldica (1999) e Prix du Siècle XX – Edgar Brünner, de la Confédération Internationale de Généalogie et Héraldique (2000), ambos atribuídos à obra Linhagens Medievais Portuguesas. Genealogias e Estratégias (1279-1325).

Discípulo de José Mattoso e de Luís Adão da Fonseca, as suas investigações desenvolvem-se em torno de duas linhas complementares: por um lado, a nobreza portuguesa até ao século XIV e, por outro, as relações políticas e diplomáticas entre Portugal e os outros reinos hispânicos, âmbito particularmente sensível para o grupo nobiliárquico peninsular.

Membro Efectivo Fundador da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais, do Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, e da Academia Ibero-Americana de Genealogía e Heráldica.

Académico de Número do Instituto Português de Heráldica e da Confédération International de Genéalogie. Membro Efetivo da Sociedad Española de Estudios Medievales e da Sociedad Española de Ciencias y Técnicas Historiográficas.

Académico Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (onde, desde 2014, é o Diretor dos Portugaliae Monumenta Historica), da Real Academia da Historia de Madrid, da Real Academia Matritense de Heráldica y Genealogía e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Dos cerca de 90 títulos publicados destacam-se os seguintes livros:
  • Os Patronos do Mosteiro de Grijó. Evolução e Estrutura da Família Nobre (Séculos XI a XIV) [1987], Ponte de Lima, 1995;
  • Linhagens Medievais Portuguesas. Genealogias e Estratégias (1279-1325), 3 volumes, Porto, 1999;
  • D. Dinis (1261-1325), Lisboa, 2005 (2.ª ed. 2008);
  • Inquirições Gerais de D. Dinis - 1284, Lisboa, 2007;
  • Inquirições Gerais de D. Dinis – 1288/1290, Lisboa, 2012-2015;
  • Aristocracia e Mosteiros na «Rota do Românico». A Senhorialização dos Vales do Sousa, Tâmega e Douro (Séculos XI a XIII), 2014;
  • Paço de Giela. História de um Monumento, 2015.

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