Conferências de Arouca

Palavras soltas sobre uma vida de teatroEvento comemorativo do 3.º ANIVERSÁRIO DO CÍRCULO

CONFERÊNCIA "Palavras soltas sobre uma vida de teatro"

Luís Miguel Cintra comentará o seu percurso biográfico como contribuição para o desenvolvimento de uma vida cultural do Portugal pós 25 de Abril capaz de tornar a relação com o público no lugar privilegiado de todos os pensamentos e emoções, de um quotidiano realmente politizado. Comentário aos sonhos realizados e aos sonhos por cumprir.
Tentativa de diagnosticar a situação presente das agora chamadas “artes performativas” e da vida cultural dos cidadãos.
Evocará dois poetas políticos de quem foi amigo e de cuja obra se sente próximo: Sophia e Ruy Belo.

LUÍS MIGUEL CINTRA Nota biográfica

Luís Miguel Cintra inicia-se no teatro em 1968, no Grupo de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Inglaterra, onde completou o Acting Technical Course, da Bristol Old Vic Theatre School.

Em 1973, já regressado a Portugal, funda o Teatro da Cornucópia, com Jorge Silva Melo, que também se iniciara no Grupo de Teatro de Letras. Na Cornucópia, Luís Miguel Cintra centrou a sua carreira de mais de 40 anos no teatro, quer como ator, quer como encenador. São mais de 100 espetáculos com obras de todas as épocas.

Como encenador de ópera, encenou obras de Ravel, Purcell, Mozart, Haydn; Honneger, Cherubini, Poulenc, Britten, Henze, Martinu, Frank Martin e Walton.

Em 1984 participou com o seu grupo no Festival de Teatro da Bienal de Veneza. Ainda em 1988 encenou um espetáculo para o Festival de Avignon, que voltou a apresentar no ano seguinte, no Festival de Outono de Paris. Em Itália apresentou-se com o Teatro da Cornucópia no projeto de formação de atores L'École des Maitres e em Bruxelas por ocasião da Europália.

Representou Sertório, de Corneille no Théâtre de la Commune - Pandora em Paris, e encenou a comedia Sin Título, de F. García Lorca para o Teatro de La Abadia em Madrid.

Luís Miguel Cintra também tem vasta obra como ator de cinema em dezenas de filmes do cinema português. Desde Quem Espera por Sapatos de Defunto Morre Descalço, de João César Monteiro, com quem manterá uma colaboração próxima. Com Paulo Rocha teve alguns dos seus mais importantes trabalhos no cinema. Mas é sobretudo à obra de Manoel de Oliveira que está profundamente associado como ator de cinema. Trabalhou com muitos outros realizadores como Luís Filipe Rocha, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Christine Laurent, José Álvaro de Morais, Pedro Costa, Joaquim Pinto, Maria de Medeiros, Patrick Mimouni, Teresa Villaverde, João Botelho, Pablo Llorca, Jorge Cramez, John Malkovich, Raquel Freire, Jean-Charles Fitoussi e Catarina Ruivo.

Declamador de poesia, gravou a leitura integral de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett e Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, assim como poemas de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Ruy Belo, Luís de Camões, Antero de Quental e dois sermões do Padre António Vieira. Fez crítica de teatro e foi por curtos períodos professor do Conservatório Nacional (Teatro, e Cinema).

Dos prémios que recebeu salientam-se: Prémio Bordalo da Casa da Imprensa em 1995 (Melhor Interpretação em Cinema) e em 1997 (Interpretação em Teatro), Globo de Ouro em 1999 para a Personalidade do Ano em Teatro, Globo de Ouro para Melhor Ator de Teatro em 2003. Recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 9 de junho de 1998. Em 2013 recebeu a Medalha de Conhecimento e Mérito do Instituto Politécnico de Lisboa. Foi, em 2014, a figura homenageada do Festival de Almada. Em julho de 2016 foi homenageado no Teatro Municipal de São Luís com a atribuição do seu nome à sala principal. Em 2017 recebeu o prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes atribuído pela Igreja Católica.

ATUAÇÃO do Grupo ARS NOVA

Ars Nova – Esta expressão latina, adotada para designação do grupo, significa “Arte Nova”. Refere-se ao tratado “Ars Nova Musicae” de Philippe de Vitry, bispo de Meaux (França). Foi utilizada, por volta de 1322, para designar um novo estilo de música, com um espectro mais vasto do valor das notas. Por ela se entende a notável fase de evolução musical que decorre durante o séc. XIV e cuja sigla é, na França, a Canção polifónica e, na Itália, o Madrigal. O período da “Ars Nova” coincide, musicalmente, com a transição entre a Idade Média e o Renascimento.

Ars Nova é um grupo musical de Manhouce, de formação recente (dezembro de 2014), com origem nas “Vozes de Manhouce” e que se autonomizou, por necessidade de ampliação de repertório e para valorização de outras vozes, mais jovens.

Envergando ora o traje tradicional de Manhouce, ora o vestido ‘clássico’, dão corpo a este grupo (a solo e/ou a duas, três, quatro vozes) as jovens Adriana Gomes, Ana Rita Trindade, Cíntia Gomes e Susana Alves, dirigidas pelo professor António Alexandrino (nos arranjos, no acompanhamento instrumental em órgão/piano e na direção musical). Todas prosseguem, atualmente, formação académica de nível superior.

O repertório deste grupo reflete classe e diversidade, quer no coletivo (coro), quer a solo. Sem perder as suas raízes tradicionais, ao selecionar canções como ‘Maçadeiras’, ‘Eito fora’, ‘Senhora das Dores’ ou ‘Chora a videira’, o Ars Nova enfrenta os desafios dos cânticos de intervenção, designadamente, as “Canções Heróicas” de Fernando Lopes-Graça (‘Jornada’, ‘Mãe pobre’, ‘Acordai!’ e outras) que ficaram na memória de quem lutou contra um regime de 48 anos, que obscureceu o país na cultura, penalizando quem ousasse pensar e agir. Mas é, também, a música de José Mário Branco (‘Aqui dentro de casa’, ‘Eu vi este povo a lutar’), ou o indelével manancial de José Afonso (‘Canção de embalar’, ‘A morte saiu à rua’, ‘Balada do Outono’, ‘Coro da Primavera’, ‘Os índios da Meia-Praia’...). Este grupo ousou, ainda e com êxito, entrar pelos caminhos da música erudita, de inspiração religiosa e outra, nomeadamente, ‘Panis angelicus’ (C. Franck), ‘Ave verum’ (A. Mozart), ‘Ave Maria’ (Bach/Gounod, Schubert e/ou Tomás Luís de Victoria), ‘Stabat Mater’ (G. Pergolesi), Canto Gregoriano... ‘O mio babbino caro’ (Aria da Ópera “Gianni Schicchi”, de G. Puccini) ou ‘Lascia ch’io pianga’ (Aria da Ópera “Rinaldo”, de G. Haendel).

O Ars Nova conta já com cerca de quatro dezenas de atuações, em ‘palcos’ diversos, perante plateias de nacionalidades várias e exigentes (entre elas, a Universidade de Lisboa, a UMAR, Teatro da Trindade, Auditório ‘Rainha D. Amélia’, igrejas, Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões, cineteatros, em eventos culturais diferenciados...)

ANTÓNIO ALEXANDRINHO (arranjos, teclas e direção musical), Nota biográfica
Iniciou-se na Música, desde tenra idade. Participou em diversos agrupamentos musicais (violino e/ou instrumento de tecla). Quando estudante, integrou a TAUC (Tuna Académica da Universidade de Coimbra). Atualmente, é membro da AATUC (Associação dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra), onde toca violino na Orqª. Principal e na Orqª. de Tangos.
Possui o Curso do Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian, na dupla vertente de Formação Musical (diploma com média de 15 valores) e Órgão (diploma com média de 16 valores). Estudou, durante cinco anos, baixo-contínuo, na referida Instituição. Possui diploma de Direcção de Coro, ministrado pelo Secretariado Nacional de Liturgia (IV Curso Nacional, 2008-2011).