Notas de Imprensa



As raízes da presente instabilidade mundial: o que têm as pequenas e grandes potências a ver com isto?

A história europeia e mundial mostra-nos que, poucos, terão sido os períodos em que, em menos de 30 anos, os seus povos não se viram envolvidos em conflitos de grandes dimensões, dizimando populações e destruindo territórios em grande escala.

Surpreendentemente, ou talvez não, na sequência do fim da 2ª Guerra Mundial, viveu-se um período, de mais de 50 anos que, à primeira vista, poderíamos designar como sendo de paz alargada e de grande progresso económico e social. No entanto, a instabilidade continuou a ser uma permanente forma de estar entre as grandes potências. Porventura com características diferentes das que eram conhecidas no passado. Essa instabilidade revela-se na quase permanente existência de conflitos regionais, agora, fora dos territórios dessas grandes potências: sudoeste asiático, África, América Latina, Médio Oriente, etc.; como se as grandes potências necessitassem da guerra, mas fora dos seus territórios. Há como que uma exportação da guerra, poupando os seus residentes dos horrores que até aí eram sofridos.

Não podemos deixar de nos interrogar porque é que tal acontece. O fenómeno é complexo, mas creio que existem sobretudo duas razões. Elas têm como nome: domínio de recursos e elevado potencial lucrativo da indústria de material militar.

Neste início do séc. XXI as guerras regionais têm-se vindo a multiplicar perigosamente e, contrariamente ao que observávamos até há pouco tempo, com elevado potencial de generalização a territórios cada vez mais amplos. O domínio dos recursos, contrariamente ao que por vezes se pensa, não visa, apenas, as bacias petrolíferas mas, também, outros recursos energéticos ou não, como a água, o sol e múltiplas bacias de matérias-primas.

A instabilidade em que hoje vivemos, que é económica, social, política e militar deve, pelas razões antes enunciadas, ser objeto das nossas preocupações e da nossa atenção. Vale a pena, por isso, que todos possamos sobre ela refletir aprofundadamente.

Por isso, o Círculo Cultura e Democracia entendeu inaugurar a nova fase das suas “Conferências de Arouca” com o tema “As raízes da presente instabilidade mundial: o que têm as pequenas e grandes potências a ver com isto?”. Para nos ajudar a refletir sobre esta questão, convidamos duas reputadíssimas especialistas em relações internacionais, uma como conferencista principal, a Professora Raquel Freire, docente na Universidade de Coimbra, nossa conterrânea e portadora de um currículo de valia internacional invejável. A outra, a Professora Sandra Fernandes, como comentadora, é docente na Universidade do Minho e diretora do Curso de Relações Internacionais dessa universidade.

Vai valer a pena vir, no próximo dia 30 de Abril, às 15,00 h, ouvi-las e com elas refletir sobre uma temática que determina o nosso presente e o nosso futuro. A conferência terá lugar no auditório da loja interativa de turismo do Arouca Geopark.