II Jornadas de Ciência: a partilha do conhecimento científico com ADN arouquense

Seguindo sensivelmente a mesma estrutura organizativa da primeira edição, decorreu nos dias 16 e 17 de dezembro a segunda edição das Jornadas de Ciência de Arouca, que este ano contou com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Subordinadas ao tema “Ciência, ambiente e sustentabilidade” esta segunda edição, tal como a anterior, teve a organização conjunta do Agrupamento de Escolas de Arouca, da Associação Círculo Cultura e Democracia e da Câmara Municipal de Arouca. 

Investigadores arouquenses no mundo
O primeiro dia das jornadas começou com um painel de investigadores, antigos alunos da Escola Secundária de Arouca, que apresentaram os seus projetos no âmbito da biologia, da microbiologia, da medicina e da farmacologia, como também da biologia molecular de plantas, da biologia do envelhecimento fisiológico e da biodiversidade e conservação da natureza, moderado pelos experientes Manuel Sobrinho Simões e Raquel Seruca, ambos investigadores do I3S, Universidade do Porto.
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Após a discussão das ciências biológicas, o segundo painel, moderado por João Sanches (Instituto de Sistemas e Robótica de Lisboa) e Raquel Seruca, discutiu projetos das ciências exatas. Projetos sobre a deteção de radiação gasosa, sobre materiais multifuncionais magnéticos, infraestruturas hidráulicas, contributo do jogo na fisioterapia e no tratamento de doenças neurológicas e ainda sobre o movimento dos corpos segundo a teoria da relatividade geral, constituíram este segundo painel de investigadores arouquenses. No final de cada um dos painéis teve lugar um interessante momento de debate que foi muito participado e no qual foram colocadas questões muito pertinentes. 
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Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Apesar de não poder acompanhar o programa destas Jornadas de Ciência de Arouca, por motivos da sua agenda, o que o impediu mesmo de participar no jantar, a verdade é que a presença de Manuel Heitor, como Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi, não só uma mais-valia prestigiante, como também uma prova do seu apreço por este evento arouquense em prol da divulgação científica. Partindo do Acordo de Paris 2016, o Ministro introduziu, na sua comunicação, algumas questões relacionadas com o futuro do Planeta, nomeadamente sobre as alterações climáticas e a sustentabilidade de novas fontes energéticas. 

Perante a crescente incerteza que o futuro do Planeta nos traz, Manuel Heitor acentuou a importância que o conhecimento desempenha na relação entre Ciência, Ambiente e Sustentabilidade. O conhecimento científico, concluiu o Ministro, é fundamental para nos adaptarmos a novas situações e a novas descobertas.
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Das artes à ciência
O segundo dia das jornadas iniciou-se com uma comunicação da artista plástica e investigadora Maria Manuela Lopes que apresentou alguns dos seus projetos artísticos e instalações multimédia, muitas delas ligadas à biotecnologia e que se baseiam no estudo experimental das relações das artes com as ciências. A outra comunicação esteve a cargo da Presidente do projeto “Ciência Viva”,  Rosália Vargas. Referindo-se à Escola Secundária de Arouca como uma “Escola de estrelas”, atendendo ao grande número de prémios alcançados no âmbito da ciência, Rosália Vargas passou em revista algumas das muitas iniciativas que o projeto “Ciência Viva” a que preside, foi desenvolvendo por todo o País, ao longo dos 20 anos da sua existência.

Futuros cientistas da Escola Secundária
Após estas duas comunicações que foram moderadas por Júlio Borlido Santos, biólogo e comunicador de ciência do I3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde) o resto da manhã do segundo dia foi ocupado com a apresentação de vários projetos científicos desenvolvidos por atuais alunos da Escola Secundária nos últimos anos.

Moderado por Jorge Gonçalves (Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto) e por Nuno Cerca (Universidade do Minho), por este painel passaram algumas dezenas de alunos do Agrupamento de Escolas de Arouca e que apresentaram os projetos em que estão envolvidos.

Um deles, o Anima Film, apresentou alguns dos trabalhos em cinema de animação, realizados por alunos do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Arouca, destacando-se entre eles a “vaca aguadeira” que foi projetado para todo o auditório.

Easy foi o segundo projeto apresentado por 3 alunos da Escola Secundária, Cláudia Correia, João Gabriel e João Garcia. Trata-se da criação de um pequeno microscópico portátil e de baixo custo, associado a um simples telemóvel.

Um outro projeto apresentado por uma equipa de alunos da ESA e também ele premiado tem a ver com a deteção de plumas de incêndio a partir do Radar Meteorológico de Arouca, situado na serra da Freita.

Neuro Test foi o quarto projeto apresentado por Beatriz Gomes, Mariana Garcia, Matilde Silva e Paulo Castro e também ele detentor de diversos prémios, quer a nível nacional, quer mesmo internacional. Trata-se de uma ferramenta inovadora, com possível aplicação na indústria farmacêutica e no tratamento de doenças neurodegenerativas.

As jornadas terminaram com uma visita guiada pelo Geoparque de Arouca, na tarde de sábado.