Memórias



No dia 27 de abril teve lugar na Loja Interativa de Turismo mais uma das “Conferências de Arouca”, promovida pelo Círculo Cultura e Democracia.

“A agricultura familiar e as suas potencialidades de desenvolvimento” foi o tema tratado pelos conferencistas, Agostinho de Carvalho e José Ramos Rocha, engenheiros agrónomos, contando ainda com a participação de José Miguel Fonseca, agricultor e co-fondador da Associação Colher para semear. A conferência foi moderada pela engenheira Graça Almeida, da Cooperativa Agrícola de Arouca.

A partir de dois casos de sucesso, o da Fruticultura no Norte de Itália e do Programa Vitis no Minho, desenvolvidos num período de 10 anos (de 2008/2009 a 2017/2018), Agostinho de Carvalho mostrou que, ao contrário do que se pensa, a estrutura minifundiária não impede a modernização da agricultura e a sua rentabilidade.

Quais são então as condições para o sucesso? Destacou as mais importantes. Em primeiro lugar, o apoio político e a oferta de inovações técnicas e institucionais apropriadas às explorações, acompanhados de medidas de política económica de apoio a exploração (investimento, subsídios, entre outras), sem os quais nada poderá mudar. Em segundo lugar, e porque individualmente não teriam a capacidade de levar a cabo esta modernização, a necessidade para os agricultores de se organizar, através de uma instituição de enquadramento (cooperativa ou empresa).

O conferencista concluiu a sua intervenção insistindo que, sim, é possível conseguir melhorar a agricultura familiar e torna-la rentável, partindo da realidade existente.

Em seguida, tomou a palavra José Ramos Rocha que seguiu a mesma linha de pensamento, explicando que as políticas agrícolas implementadas em Portugal no pós-adesão têm privilegiado os modelos de maior dimensão económica, ignorando a pluralidade de sistemas agroflorestais e as condições necessárias para a sua mobilização para o desenvolvimento. É, por isso, que a pequena propriedade, típica do Norte de Portugal, foi considerada de forma geral como um empecilho para o desenvolvimento de grande parte do território, agravado progressivamente por falta de intervenção e vontade política.

No entanto, conforme acontece em França, Alemanha e outros países de Europa, esta questão estrutural pode ser ultrapassada. Aí, salvaguardando o direito à propriedade privada, foram tomadas medidas de caráter estrutural, sistemáticas e de longo prazo. Estas medidas permitiram manter e desenvolver a agricultura de base familiar através não só da criação de instituições, de natureza técnica e territorial para a organização e desenvolvimento das suas agriculturas e territórios, mas também do reordenamento fundiário.

Numa avaliação com um horizonte temporal de longo prazo o financiamento das medidas de apoio aos agricultores torna-se inferior ao que poderia ser necessário após o abandono das terras e a desertificação dos territórios.

A seguir às intervenções, os conferencistas responderam às perguntas que lhes foram colocadas, dando lugar a um debate animado.

Ainda ligada ao tema desta conferência, realizou-se na manhã seguinte, no museu municipal, uma oficina, também organizada pelo Círculo Cultura e Democracia, sobre a “Recolha, limpeza e conservação das sementes tradicionais”. Os cerca de 25 participantes, na maioria pequenos agricultores familiares, seguiram com muito interesse os ensinamentos práticos transmitidos por José Miguel Fonseca, dinamizador da sessão.
oficina1

Mais alguns registos fotográficos, aqui.

 

Ciclo de Conversas Digitais

Agenda

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