Notícias



A concluir as Jornadas da Floresta realizou-se uma mesa redonda em que os participantes sublinharam as ideias que acharam mais pertinentes sobre a floresta e os incêndios.
 
Dois aspetos fundamentais surgem como síntese daquilo que foi referido. O primeiro realça a complexidade da questão da floresta, que contem em si problemas diversos; o segundo incide na necessidade da participação da sociedade civil.
 
Não existindo uma solução milagre para esta questão podemos, no entanto, considerar essencial o envolvimento e intervenção dos poderes locais, regionais e nacionais com objetivos e áreas definidas. A gestão da floresta não se resume à prevenção dos incêndios que, com as condições geográficas e meteorológicas do país, são uma inevitabilidade a que nos teremos de habituar como um elemento natural, força da natureza e processo ecológico. Podemos sim, mitigar as suas consequências.
 
Tendo em conta a importância económica e social da floresta é importante o papel da indústria e da comercialização que deverão ser vistas como aliadas e não como opositoras. No mesmo sentido aparecem como eixo central as organizações de produtores florestais.
 
Podemos ter que admitir que, para termos melhor floresta, tenhamos que ter menos floresta.
 
Outro aspeto que mereceu o maior relevo e atenção de todos os intervenientes foi a importância da mobilização da sociedade civil, fundamental para combater a desresponsabilização das pessoas, favorecida por ideias feitas e erradas como a de que a culpa dos incêndios é dos incendiários ou que os aviões resolvem o problema dos incêndios.
 
A educação cívica é o eixo da organização da sociedade civil e esta deve informar-se, empenhar-se e organizar-se coletivamente para corrigir políticas erradas que vêm de longe. Para concretizar este objetivo é necessário interessar as pessoas e envolver os jovens, para que sejam parte ativa nas soluções. Mostrar-lhes que a floresta possui sustentabilidade económica e, também, uma componente social relevante.
 
Para esta pedagogia é necessário trabalhar com os media que têm um papel importante na desmistificação de ideias erradas e na divulgação de boas práticas, cabendo às autarquias igualmente um trabalho exemplar na sua aplicação.
 
Arouca é um concelho muito ligado à floresta da qual depende também o seu futuro económico, facto que deve merecer a atenção da municipalidade. Existem saber e experiências locais que é necessário aproveitar e reproduzir. Tem que haver uma mobilização coletiva para um problema real e imediato.